Da Hora, Ana Pompílio
A palavra convence, o exemplo arrasta.
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DA HORA, JOSÉ POMPÍLIO

               Trinta(30) anos sem o meu inesquecível pai, JOSÉ.

 

                Naquela noite de 24 de outubro de 1.991, em um hospital em Copacabana/RJ, onde estava internado, ele concluiu, aos 74 anos e com louvor, a sua lenda pessoal como maravilhoso esposo, pai, chefe de família, professor e advogado. Era católico, foi educado por um padre ( perdeu os pais muito cedo) e foi seminarista em Nápoles, no sul da Itália, para onde foi levado bem jovem ainda. Era natural de Cruz das Almas/BA. Adorava a família dele e ai de quem fizesse ou tentasse fazer algo contra nós. Virava um leão e era implacável com a maldade humana e com os representantes do mal. Igualmente adorava a sala de aula, onde se sentia em casa. Recebeu inúmeras homenagens dos alunos, ao longo dos anos de magistério. Exercia a advocacia com muita tranquilidade e não perdia nenhuma causa. Para quem já tinha sofrido toda sorte de racismo, preconceitos e tantas outras desagradáveis situações por conta da cor da pele, ele era bem centrado, de uma calma de "dar nervoso". Era muito culto e certamente, o conhecimento e a abertura de mente não o deixavam esmorecer.

 

              Assim, a data de hoje é complicada, mas não vou me sentir triste ou "pesada" emocionalmente, apenas darei vazão à imensa saudade que ele nos deixou. Não há um dia nesses 30 anos que não me lembre dele. Recordo-me das últimas palavras dele antes de sua passagem: " A morte é para todos. Ninguém é insubstituível". Disse a ele que concordava em parte, pois para mim, ele era insubstituível sim. Meu pai ainda fez algumas breves considerações sobre o assunto, pois sabia que iria partir logo. Realmente, pouco tempo após essa conversa, ele se foi. A única certeza que tenho é que ele continua muito vivo em cada um de nós, em minha mãe, nos meus irmãos e em mim. A saudade é imensa e indescritível, mas é assim "para todos, a implacável morte". Beijão, meu paizão querido e quando Deus determinar, continuaremos a nossa conversa certamente sob uma nova ótica e com a alegria do reencontro.

 

              Observo que só tornei o presente texto público em razão de meu pai ter sido, por muitos anos, professor do Colégio Pedro II, do Instituto La-Fayette, da Fundação Osório, da Faculdade de Direito-SUESC e da UFRJ-Faculdade de Direito, tendo, portanto, sido professor de inúmeras pessoas que certamente, caso venham a ler esse texto, irão se lembrar dele. Saúde para todos!

Ana Pompílio da Hora
Enviado por Ana Pompílio da Hora em 24/10/2021
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